sexta-feira, 6 de maio de 2011

Montessori nos dias atuais.

Andei pesquisando sobre a vida de Maria Montessori e me encantei com sua história. Ela criou um método pedagógico fantástico e revolucionário para a sua época, aliás, ela foi uma mulher revolucionária, tanto que Freud assim escreveu em uma carta direcionada para ela: "Se todas as crianças fossem educadas pelo seu método, não precisaria existir a psicanálise".


Recentemente tive a oportunidade de participar de um curso sobre o método Montessori nos dias atuais e é com muita tristeza que posso dizer que não passa de mais uma tentativa de escolarização da educação infantil. O foco principal é alfabetizar e dão início à esse processo antes mesmo dos 3 anos de idade.


Não concordo! A criança precisa da infância, precisa brincar, fantasiar, imaginar, o que parece ser proibido na sala Montessori, milimétricamente organizada. A infância é tão curta e o brincar tão importante para a organização do ser nesse mundo e para o processo de desenvolvimento dos seus corpos. Teremos tantas responsabilidades por toda a vida, na infância poderíamos poupar as crianças, sem podar essa fase, principalmente de seres que não podem se defender e nos têm como modelo.


O brincar direcionado é a maneira mais fantástica de a criança se familiarizar com a aprendizagem e tomar gosto por aprender. Acredito que a primeira infância é o alicerce para a vida adulta, momento de uma educação moral. Nessa fase a criança é uma esponjinha com muita condição de receber as sementes das virtudes que mais tarde nortearão suas vidas. Preocupar-se em alfabetizar nesse momento é uma maneira cruel de desperdiçar um momento importante da vida.


Como diria minha amiga Shirley "Imagine um adulto infantilizado, o contrário seria o mesmo que adulterar a infância, colocar a criança na estufa e acelerar seu amadurecimento que deveria ser natural, falta de respeito".


Será que a Montessori queria mesmo isso?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O que é a educação?

O que é a educação? Como estudá-la? Como aprende-la? Você só saberá vivenciando o educar. Não adianta buscar conceitos fechados, petrificados no tempo, estáticos. Cada ser é um só e cada um necessitará de uma educação bem específica. O bom educador é aquele que dedica tempo a conhecer, relacionar, compartilhar e não aquele que conhece bem todos os métodos glorificados e os aplica caprichadamente. Ame, e educará com louvor. Conheça-se, para conhecer o próximo. A criança precisa de compreensão e amor, muito mais que educação, porque essa é natural e um efeito moral de uma relação de respeito e afetividade. Ensine gramática com amor, ensine matemática com amor, não faça da uma sala de aula uma sala de números. Conheça as dúvidas das crianças à medida que também as conhece e essas aprenderão com mais facilidade. Sei que a educação atual prepara somente para uma coisa: vestibular. O que não impede os mais conscientes de educar para a natureza, para as relações, para a solidariedade, para o respeito, para a família, para ouvir, entre outras coisas, e para o vestibular. O exemplo daquele que ama verdadeiramente, ao meu ver, é a única e verdadeira educação possível.

Criança brincando, quem a educa?

É importante pensar em um limite pedagógico para os espaços de brincadeira das crianças pequenas, fundamentalmente as menores, para elas, o educador exerce uma importantissima função: a de ser o propiciador de um espaço adequado para seu desenvolvimento através da brincadeira. É extremamente importante pensar na quantidade e qualidade dos brinquedos oferecidos que, quanto mais simples e naturais, mais aumentam as possibilidades oferecidas à criança de transformá-los a partir de sua imaginação.
A falta de limites gera desordem, desrespeito ao ambiente e aos materiais e também o excesso de cores, sons, brinquedos desde o berço, podem confundir a criança que ao invés de experimentar o próprio corpo é constantemente distraída por objetos ao seu redor.

"A criança se orienta no espaço a partir do centro que é o próprio corpo. A vivência das dimensões espaciais lhe possibilita ajustar-se, suave e delicadamente, às polaridades no interior do seu organismo. Esta conquista apazigua, gera calma interior e só então é possível que a criança se concentre em alguma tarefa ou atividade com o devido envolvimento. É necessário no início da vida movimentar-se muito e em todas as direções para finalmente conquistar o equilíbrio, a progressiva autonomia do corpo dá confiança ao ser humano em desenvolvimento."
Luiza Helena Tannuri Lameirão

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Tempo é arte"


Somos seres potencialmente criadores por natureza, mas vivemos numa sociedade que sufoca e reprime esse dom naturalmente artístico o tempo todo. Ouvimos "tempo é dinheiro" quando deveríamos ouvir que o tempo é arte. As educações espiritualistas consideram a arte nas suas diferentes formas de manifestação como um seguimento de extrema importância na relação educativa. Acredito que a arte é a auto educação, a disciplina do poder criador que somos. Viver a arte é estar em contato consigo. É exteriorizar de forma significativa aquilo que por sí mesmo é inspirado. Uma forma de ensinar e aprender. Como é fantástico trabalhar as relações através da arte. Comunicar-se com um bebê de menos de um ano através da música, dos gestos, da dança, dos brinquedos de sucata. Inspirar arte na educação, incentivá-la, abrir caminhos para que ela se manifeste acredito eu, seja dever dos educadores que pretendem adultos mais felizes, livres e seguros.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Contação de histórias



"Fuma cachimbo, pula num só pé, faz trança em cavalo, adivinha quem é? Vive num bambu, vem no redemoinho, mora no escuro na beira do caminho. Sete anos pra nascer, setenta e sete pra morrer mas se tirar seu gorro, seu amigo ele vai ser. Tem medo de peneira, de cruz de madeira, assovia de noite sob a lua cheia. Fuma cachimbo, pula num só pé, faz trança em cavalo, adivinha quem é"?

Basta acreditar que existe saci pererê. Basta acreditar que existe que você vai ver... Ele mora bem pertinho, ele é seu vizinho, é só perceber. Basta acreditar que existe que você vai ver.
Basta acreditar que o sonho é o que nos faz vencer. Que a vida só tem sentido se você viver. Se ver aquela estrela numa noite clara caindo pra você, só fazer o seu pedido e vai acontecer. Uma história vou contar, vou contar para você, QUEM CONTA HISTÓRIAS FAZ A VIDA RENASCER, se é de barquinho, borboleta, ou vitória régia, não importa o que, basta acreditar na história que você vai ter, já dizia minha vó: "A vida é um carrossel, e o mundo gira sempre em torno de um desejo teu". Vamos dar as mãos, um abraço, um sorriso claro e você vai ver, que basta acreditar na vida para se viver. (DVD Tempo de Brincar)


terça-feira, 30 de março de 2010

Criança vê, criança faz.



Trabalhar com pessoas que gritam é uma tensão. O gritar em sala de aula é quase como um vírus que se alastra em silêncio. Um vírus de incompreensão. Quando você menos imagina se vê aos berros também: "PAREM DE SUBIR", "PAREM DE DESCER", "PAREM DE ANDAR", e de repente o melhor de todos os gritos: "PAREM DE GRITAR".

Professor no Campo


Você entra em uma sala de vídeo com vinte crianças de dois anos e coloca um filme de músicas dançantes instrutivas, próprias para suas idades. Elas começam a dançar tão alegres e felizes que uma pessoa mais romantica como eu (rs) pode até ver brilhos em seus olhos. De repente alguém dá um sonoro berro "TODOS SENTADOS" E como se não bastasse o imenso susto, complementa "NÃO QUERO VER NINGUÉM EM PÉ".

Em primeiro lugar, eu me sinto profundamente tocada de compaixão pela voz que dá esse comando. Tratar crianças dessa forma, privando-as de sua enorme sede de alegria, espontaneidade e movimentação deve ser algo que parte de um coração enrijecido.

Em segundo, poder ver a dificuldade quase dolorida que as crianças têm para obedecerem à esse comando me faz crescer muito na condição de estudante de pedagogia.

Meu sonho agora é ministrar aulas em uma escola de proporções inversas daquela em que estou. Grandes espaços abertos. Jardins. Pátios e campos. E... Quem sabe além do refeitório, uma minúscula sala para um dia de chuva muito forte.

-- O famoso entomologista francês Fabre sempre se orgulhou de ter conseguido fazer suas pesquisas sobre os insetos - pesquisas que ficaram famosas - sem precisar matar nenhum. Ele estudava sua maneira de voar, seus hábitos, tristezas e alegrias. Seguia com atenção suas brincadeiras sob os raios do sol e seus combates mortais. Observava como agiam para arranjar comida, construir seus abrigos, fazer provisões. Contemplava as poderosas leis da natureza através de movimentos imperceptíveis e nunca se impacientava. Era professor no campo. Fazia suas observações a olho nu. --


Educador, seja um Fabre no mundo das crianças.